A diversidade além da vantagem competitiva

Por Abril 20, 2018

Entramos em uma era onde entendemos que o sucesso não reconhece cor, gênero ou classe social; em todos os cantos de nossa empresa circula o espírito de mudança e o compromisso que assumimos de promover ambientes diversos como uma ferramenta de inovação e evolução. O nosso DNA é marcado com esse propósito, e norteia nossas ações para a transformação do futuro do negócio.

Como sinal dessa força de progresso, na CA Technologies nos transformamos em protagonistas e defensores da diversidade, compartilhando com todos as vantagens de gerar ambientes diversos, de criar políticas e metas de inclusão para as minorias.

Nosso protagonismo ficou evidente em Bogotá em fevereiro, durante o 1º Summit de Diversidade que organizamos. Na ocasião, quando tivemos o prazer de conversar com mulheres de sucesso que, como nós, compartilham essa paixão e o desafio de reduzir as lacunas do setor, assim como para exaltar a diferença.

A situação da Colômbia não é diferente da de outros países da América Latina. Mulheres ainda são as mais vulneráveis em termos de emprego, e têm menos possibilidades de ocupar cargos diretivos. Neste sentido, as palestrantes convidadas afirmaram ter sofrido discriminação em algum momento de suas vidas por serem mulheres, ou gestantes, ou por suas nacionalidades. Para as participantes, a diversidade começa em casa, nas escolas e pode ser gerenciada nas organizações.

No entanto, o papel da tecnologia e das redes sociais como canais de comunicação e de integração é crucial no caminho da transformação. Por meio delas é possível alcançar os diferentes grupos minoritários e, da mesma forma, conseguir que eles se expressem, criando um ambiente de comunicação bidirecional.

As questões propostas e debatidas no encontro foram muito bem complementadas por cada uma das convidadas. A discriminação foi escolhida como o eixo central da conversa, dando origem a pontos de vista interessantes, como a visão da Colômbia no mundo e a maternidade na esfera profissional. As informações apresentadas pelas palestrantes permitiram diferenciar a realidade enfrentada por cada uma, que conseguiram colocar sobre a mesa a longa jornada que deve ser percorrida para melhorar a inclusão. Tudo isso, pensando no uso da tecnologia e das ferramentas digitais para ampliar o discurso.

Sobre a participação das palestrantes:

Patricia Fernández Pacheco, Representante Adjunta da ONU Mulheres Colômbia

“A Colômbia é um país de referência em termos de diversidade e de paz para o mundo, e é um ótimo exemplo para demonstrar que esses processos podem ser realizados com sucesso”, comentou durante seu discurso. Contudo, Patricia falou sobre as poucas empresas que possuem políticas de inclusão, e assegurou que essas políticas nem deveriam existir, já que a inclusão deve estar tão imersa nas organizações que não deveria ser algo externo. Finalmente, ela acrescentou que as empresas deveriam promover sociedades mais justas, da comunidade internacional até as instituições menores, onde a mulher seja levada em consideração como protagonista.

Patricia também destacou que “a economia global poderia ser 28 quatrilhões de dólares maior se todas as lacunas fossem reduzidas”.

Luisa Vélez, Sub-diretora de Cultura Digital do Ministério Tecnologia Informação e Comunicação (TIC) da Colômbia.

A cientista política da Universidade do Rosário começou seu discurso falando sobre os estigmas existentes nas empresas sobre trabalhar com mulheres. Ela afirmou que o sexo feminino contribui com diferentes visões, regidas pela capacidade de “multitasking” que possuem, apesar de terem o conceito de que trabalhar com o gênero é considerado difícil. Ela ainda assegurou que “é importante entender por que existem pesquisas como o “Telhado de Cristal”, que é baseado no fato de que as mulheres não conseguem alcançar altos cargos diretivos com a frequência que conseguem os homens. Tudo isso para entender que deve haver um equilíbrio, evitando, também, deixar os homens de lado”. Para finalizar, ela contextualizou a relação que mantém a desigualdade com as redes sociais e, como a partir do Ministério TIC, foram avançados projetos focados na construção de uma cultura de respeito e tolerância, no país, através de ferramentas digitais.

María Gabriela Castro, Presidente da Korn Ferry

María Gabriela foi a primeira a falar sobre a questão da discriminação no trabalho. Ela expressou com um exemplo muito concreto de sua vida, uma situação que milhares de mulheres vivem diariamente. Também, disse que a competência profissional é o fator que permite que uma pessoa seja promovida no trabalho, e a arma principal para vencer a discriminação. Em relação à questão da inclusão trabalhista, María Gabriela afirmou que, na Colômbia, agora, estão começando a promover essas ideias de inclusão, mas que ainda há um longo caminho a ser percorrido. “Quando uma empresa quer fazer uma transformação verdadeira, deve ter líderes abertos que promovam essa mudança”, garantiu.

Catalina Manrique, Gerente-Geral da SAP Ariba América Latina

Em relação à discriminação no trabalho, Catalina comentou sobre um caso muito diferente das outras convidadas. Ela disse que a discriminação que sofreu não foi por ser mulher, mas por ser colombiana, por isso fez um convite para que todos avaliem, reconheçam e denunciem qualquer forma em que essas situações segregação, pois não devem ser aceitas, de forma alguma. Catalina continuou falando, pontualmente, sobre as políticas da empresa SAP, onde existe o “Equal Day”, um programa no qual são expostos os fatores que causam as grandes diferenças salariais entre os gêneros e como devem ser eliminadas. Por fim, ela acrescentou: “As questões da diversidade, além de se verem refletidas em números para as empresas, também geram ambientes de trabalho mais agradáveis”.

Carolina Astaiza, CTO Grupo Sancho BBDO

Carolina Astaiza iniciou seu discurso, afirmando com firmeza que a luta contra a discriminação à mulher deve ser constante e que, a partir das empresas, esse pensamento deve ser promovido por meio de políticas ou programas. Em relação à criação de ambientes diversos, assegurou que as organizações devem fornecer espaços para que os funcionários possam se adaptar da melhor forma. Ela ainda considera necessário que essa responsabilidade seja levada em consideração, uma vez que não só se refletiria em números para a empresa, como também tornaria o ambiente mais agradável.

A questão da diversidade tem um poder transformador e vem ganhando destaque na sociedade, ainda que lentamente. O impacto latente de uma mudança nessa realidade é gigantesco. Basta olhar para a produção de software voltada para diferentes públicos, já que a diversidade está presente em todos os momentos. Imagine se no processo de construção dos apps, que todos baixamos em nossos smartphones, fossem levadas em consideração as perspectivas de todos os usuários e não apenas de um grupo – dos desenvolvedores, geralmente homens com o mesmo perfil socioeconômico.

Uma das grandes conclusões de nosso encontro é que a diversidade deve ser entendida como um atributo de gestão, que dá vantagens competitivas únicas, por meio da consolidação de equipes de trabalho diversificadas. Estando juntas, pessoas de diferentes gêneros, sexos, raças, gerações e classes sociais promovem a inovação e consequências positivas para os resultados.

Na verdade, a diversidade corporativa está comprometida em quebrar as formas e meios tradicionais com que empresas alcançavam o sucesso e seus objetivos de negócio, a partir de uma concepção diversificada do mercado, da força de trabalho e do gerenciamento de talentos. Na CA, estamos focados em fazer nossa mudança interna, além de ajudar a criar uma conscientização em nossos mercados, pois todos temos a ganhar – como organizações empresariais, mas, acima tudo, como pessoas.

Escrito por Claudia Vasquez
Presidente e Gerente Geral da CA Technologies para América Latina e o Caribe
LinkedIn: @claudiavasquez